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Atividades das crianças

Nosso objetivo é participar e contribuir na formação de cidadãos íntegros e conscientes, valorizando a infância como infância.


A brincadeira e o faz de conta

24O brincar é a linguagem essencial da criança, um gesto espontâneo de seu ser. Gesto que a coloca em relação consigo mesma, com o mundo, com as pessoas que a cercam e com a cultura e humanidade a que pertence. Brincando, a criança comunica e conhece seus interesses, as relações que estabelece com os objetos e pessoas, e interage com o que é conhecido e desconhecido por ela. Assim, entendemos a brincadeira como expressão de cada criança: seus desejos, necessidades e interesses, suas perguntas, seus sonhos, imaginação e seu pensamento brincante. O brinquedo, as brincadeiras e os jogos, sempre fizeram parte da infância humana. É uma atividade natural, espontânea e necessária, e através dela, podendo brincar em liberdade, a criança tem a possibilidade de desenvolver-se no mundo da sensibilidade, das emoções, da corporeidade, no domínio da inteligência e na evolução do pensamento; contribuindo assim para seu posicionamento como ser e para sua integração social. Dentre as várias qualidades do brincar, valorizamos a brincadeira de faz de conta. Nesta, a criança vivencia papéis, brinca com suas referências existenciais e transita entre o conhecido e o desconhecido por ela; coloca e exercita sua visão provisória sobre esse mundo, no qual tem voz e vez. Significar e re-significar são palavras e ações imprescindíveis para o brincar. A brincadeira é, quando vivida plenamente, um ato criativo e formativo da criança, e possui espaço primordial no trabalho do Recreio.


A rotina

35Entendemos que a rotina das crianças no Recreio precisa estar bem articulada, considerando o ritmo de cada uma, do grupo, suas necessidades e interesses,as propostas das atividades e os espaços em questão. É uma orquestra criada, conduzida, refletida e firmada diariamente, gerando a criação de um grupo, o autoconhecimento e reconhecimento de cada criança no estar e fazer coletivos. A rotina também é determinada pelos cuidados, individuais e coletivos, e pelas metas de trabalho ligadas às experiência e às aprendizagens que queremos possibilitar para  as crianças. Neste contexto, o educador é o grande maestro que reconhece as necessidades e interesses do seu grupo, domina o seu plano de trabalho e abre espaço para as crianças serem autoras dos conhecimentos que emergem no dia a dia. Os rumos deste trabalho são avaliados constantemente junto à equipe de coordenação, que acompanha a constituição do projeto através de reuniões, registros e presencialmente. A rotina dos grupos está dividida nos espaços da escola, considerando momentos de recolhimento e de expansão; de cuidados, de livre brincar, de atividades sistematizadas, seguindo o currículo, as metas gerais e as de cada grupo. Valorizamos o estar presente, individual, de corpo e alma; e o fazer coletivo, relacional, construídos dentro de escolhas que são pautadas por vivências significativas e limites necessários.


Autonomia

22Para que a criança possa ser autora de sua própria história é fundamental que ela possa desenvolver recursos próprios para lidar com as diversas situações de sua vida. Assim, um princípio fundamental da Educação Infantil no Recreio é favorecer a construção gradativa da autonomia individual. Esta construção depende de uma relação educativa que confia nas capacidades da criança e que reconhece suas necessidades e seus interesses, dando-lhe suporte para que possa encontrar e reconhecer no ambiente escolar e em suas parcerias – com outras crianças ou adultos – possibilidades de agir, escolher e deslocar-se rumo ao seu desenvolvimento. Valorizamos e incentivamos muito nas crianças a conquista gradativa da autonomia com o apoio do adulto. Em um primeiro momento fazemos por elas, depois fazemos com elas, para que consigam a seguir fazer sozinhas. Entendemos que para a criança exercer sua autonomia é necessário que lide com questões, aprendizados e experiências que estejam a seu alcance e capacidade, podendo, a partir daí, ampliar suas escolhas rumo a novas descobertas e aprendizados. Procuramos também implicar e responsabilizar as crianças por suas escolhas, levando-as a perceber o outro e o meio nas suas decisões, aprendendo a articular seus pontos de vista com os dos demais e com os limites e regras de cada situação


Convivência e cooperação

32O sentir-se parte de um grupo, estabelecendo vínculos de respeito consigo mesmo, com o outro e com o coletivo, e o saber relacionar-se nas diversas situações, são advindos do convívio diário com as pessoas da escola: colegas, educadores e outros funcionários. A criança aprende, aos poucos, a perceber e a articular sua perspectiva – necessidades, interesses e opiniões – com a dos outros. Aprende também, com os recursos de que dispõe, a expressar-se, a dialogar, a considerar o outro, a rever seu ponto de vista, estabelecendo e respeitando combinados e regras de convívio social. Nestas relações amplia sua visão sobre si mesma, sobre o outro e sobre tudo que a cerca, e este trabalho se inicia, sem dúvida, quando ela própria é recebida na escola podendo viver relações de respeito, de escuta, diálogo, apoio e confiança.


As linguagens das crianças

27Além da linguagem oral, bastante privilegiada no trabalho com as crianças; valorizamos também as várias outras linguagens presentes no desenvolvimento humano, como as artes plásticas e a musical. O trabalho em Artes Plásticas tem como principal objetivo propiciar a experimentação, percepção, expressão e criação dos pequenos. Queremos que cada criança desenvolva o seu fazer artístico, vinculado à sua sensibilidade e suas possibilidades de expressão; reconhecendo assim a sua marca pessoal no mundo. Para tal, oferecemos uma diversidade de materiais e momentos propícios na rotina para as suas criações, incentivando-as no manejo e conhecimento dos materiais, na observação dos seus próprios gestos e de seus colegas. À medida que esta linguagem vai sendo de domínio da criança, técnicas e planejamentos específicos, naturalmente, vão surgindo e também sendo apresentados para somar recursos à possibilidade de expressão e criação das crianças. As artes plásticas estão integradas aos projetos desenvolvidos nos grupos, acompanhando os estudos e as brincadeiras das crianças, dando apoio à criação de materiais nos trabalhos propostos e sendo também instrumento expressivo e estético para tudo o que é criado no Recreio. A música está presente diariamente na rotina das crianças, através da produção de sons e músicas espontâneas, das cantorias iniciadas pelas crianças e educadores; acompanhadas ou não por instrumentos, das brincadeiras musicadas, das cantigas e brincadeiras de roda e da apreciação de músicas de Cds. Incrementando este trabalho, uma vez por semana, um professor especialista, está presente em cada grupo, desenvolvendo um trabalho voltado à descoberta e produção das bases musicais e, uma vez por mês, todas as crianças participam do “Encontro Musical” para partilhar um repertório que é cantado e dançado coletivamente.  Nosso repertório musical está bastante voltado à Cultura Popular Brasileira, tendo espaço no projeto, também, o repertório da comunidade (pais e familiares). Entendemos que as diversas artes fazem parte da constituição do ser humano, subjetivo e social, sendo expressões e meios de desenvolvimento emocional, cognitivo e social; além de trazerem beleza, alegria e belos momentos de partilha no nosso dia a dia.


A linguagem corporal: o corpo no espaço e nas relações

23O corpo é o nosso grande instrumento relacional com o mundo. É através dele que iniciamos a percepção de quem somos, de como é o nosso meio e as pessoas que nos rodeiam. Ele nos acompanha a vida inteira, através dele desenvolvemos potenciais e registramos aprendizagens e afetos únicos. A percepção através do corpo é um potencial do ser humano, mas com certeza na fase da criança pequena ela é a base das explorações, aprendizagens e dos relacionamentos. A criança vê, ouve, sente, toca, atua, cria e se entrega a inúmeros movimentos na sede de descobrir e explorar seus interesses e também na busca de vínculos com os adultos e colegas. O espaço do Recreio é constantemente cuidado e produzido para que tenha cantos de recolhimento e também áreas expansivas, desafiadoras, compostas por intervenções nos vários planos (alto, médio e baixo), possíveis de serem recriadas a partir das brincadeiras corporais das crianças. Assim, as habilidades corporais são despertadas dentro de contextos significativos, integradas às explorações e relações que a criança estabelece no seu dia a dia. À medida que o corpo se expressa genuinamente e possui campo de exploração e criação, as habilidades corporais vão se sofisticando, desde os movimentos corporais mais amplos até os mais precisos, gerando confiança, autoconhecimento às crianças e possibilidades de criação e comunicação no grupo.


Construção de projetos: exploração e pesquisa

31As formas como as crianças vivenciam o mundo, constroem conhecimentos, interagem, expressam-se, manifestam interesse, servem de base e de fonte de decisão em relação aos fins educacionais, às metas e metodologia de trabalho no Recreio. As crianças, em cada etapa do seu desenvolvimento, experimentam, refletem e tomam consciência do mundo de diferentes maneiras. Quanto menores são, mais suas representações e noções sobre o mundo estão associadas diretamente aos objetos concretos da realidade conhecida e vivenciada. Elas constroem conhecimentos práticos sobre seu entorno, relacionados à sua capacidade de perceber a existência de objetos e de se movimentar pelos espaços. Entendemos esta forma de atuar como sendo uma “ação pesquisadora” da criança. À medida que se desenvolve e sistematiza conhecimentos relativos à cultura, a criança constrói e reconstrói noções que favorecem mudanças no seu modo de compreender o mundo. Isto permite que ocorra um processo de confrontação, nas interações com os outros, com os objetos e fenômenos, entre suas “hipóteses” e explicações com os conhecimentos culturalmente difundidos. Por meio da possibilidade de formular suas próprias questões, buscar respostas, fazer experiências, imaginar soluções, expressar suas opiniões e concepções de mundo, confrontar seu modo de pensar com o de outras pessoas e com o pensamento científico, a criança poderá refutar e reformular explicações para a pluralidade e diversidade de fenômenos e acontecimentos do mundo social e natural e construir conhecimentos cada vez mais elaborados. Para garantir uma proposta pedagógica que contemple o desenvolvimento da criança, as articulações das experiências e saberes das mesmas e os conhecimentos culturais da sociedade, e visando que a criança seja protagonista de seu aprendizado, trabalhamos com “Projetos”. Projeto é uma modalidade organizativa do trabalho pedagógico que favorece o desenvolvimento de um tema escolhido a partir dos interesses e também das necessidades das crianças e possibilita tanto trabalhar conteúdos quanto intervir na dinâmica do grupo. O objetivo do trabalho com projetos não é fazer com que o tema integre todas as áreas do conhecimento, mas explorar intensamente aquelas que estão relacionadas. O trabalho com Projetos interliga e amarra conteúdos de diferentes áreas de conhecimento de forma coerente e significativa para o grupo. Podemos ter projetos no grupo que se apoiam e se complementam conforme o interesse e necessidade do grupo, exigindo do educador clareza nas metas, em suas escolhas e um planejamento vivo, avaliado constantemente. Nesta proposta o educador tem o papel de apoiar as pesquisas das crianças, oferecendo repertórios, organizando experiências e dando subsídios para as mesmas avançarem nos seus conhecimentos, fazendo com que os temas do(s) projeto(s) sejam vivenciados de forma lúdica e também empírica, revelando o que as crianças estão descobrindo e querendo saber.


Cuidados com o meio ambiente e reciclagem

40Entendemos que é sentindo-se parte integrante do meio em que vivem, podendo atuar sobre este e refletir sobre suas ações, que as crianças poderão criar hábitos de troca e cuidado com os ambientes e grupos sociais que habitam, desenvolvendo à medida em que crescem, uma consciência de seu valor e de seus papéis na coletividade. Assim, procuramos envolver cotidianamente as crianças na observação do meio e nos cuidados para com este, pois entendemos que é a partir da curiosidade, da interação com o mundo que as cerca e a partir de um cuidado significativo com este, que os pequenos poderão perceber e atuar nesta direção tão fundamental. O olhar e as ações com o nosso jardim; o cuidado com os passarinhos e tartarugas; a construção, organização e conserto de brinquedos; a reciclagem do lixo e reaproveitamento de sucatas para o trabalho com artes e outras criações, o uso cuidadoso da água, são algumas das ações rotineiras que pretendemos cada vez mais ampliar com as crianças. Entendemos que este cuidado vai para além da escola, atravessa o muro, chegando ao nosso bairro e às famílias que compõem essa comunidade. Temos como projeto que ações cuidadosas e de partilha se efetivem através de eventos dentro e fora da escola, podendo assim valorizar a ação da criança na construção social e trazer consciência e possibilidades para todos nós podermos atuar no nosso meio ambiente. Apoiamos ações de parcerias nessa direção, como a de um dos nossos educadores, precursor do plantio de “Orquídeas na Vila”; e também ao trabalho da “Toca da Raposa” que as crianças do G5 visitam anualmente, responsável por divulgar e preservar a cultura indígena.